O Momento

O Momento

E quanto mais eu não te penso
Vivo a vida de um modo intenso
Sob a visão de um luar tão denso
Chuva no vidro, o amor condenso

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Dentro de mim há tanto sentimento
Espaço aberto, muito entendimento
No exterior a vida dura do cimento
Transforma tudo num surdo lamento

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Pensar é um fantástico presente
Luz de um farol que orienta a mente
Mas o que se pensa precisamente
É diferente do que a gente sente

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Suave e leve como lenço que voa
No silêncio a alma contente ri à toa
Um gargalhar sem dor infinito ressoa
Viajo muito além da minha pessoa

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Eu imagino um passado distante
Vejo o início de tudo num rompante
A extinção de um reino animal gigante
Luta vencida por um meu semelhante

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Eu imagino muito, muito mais avante
Até o fim de tudo, mil séculos adiante
Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

A rica beleza viva deste instante

Sobre Mim

Sobre Mim

Quando logo pela manhã desperto
Arrancado dos pesadelos noturnos
Caio nos braços dos medos diurnos
Olho à minha volta vejo meu deserto

Olho à minha volta vejo meu deserto
Chove sobre mim, chove sobre mim

Tateio esta vida sem saber por onde
Começo pouco a pouco a tecer o dia
Encho de esperança esta casca vazia
Eu procuro espero e você me responde

Eu procuro espero e você me responde
Chove sobre mim, chove sobre mim

Dentre todos os nãos você me diz sim
Me dá força a paciência de um monge
Porque o mar do seu amor está longe
E também está próximo perto em mim

E também está próximo perto em mim
Chove sobre mim, chove sobre mim

Então aos poucos seu contato dissipa
A angústia da dor dessa culpa infinita
Chove sobre mim sua benção bendita
E misturada às lágrimas me emancipa

E misturada às lágrimas me emancipa
Chove sobre mim, chove sobre mim.

Desacato

Desacato

Percorri os campos de paralelepípedos, cimento, asfalto
Bichos que vi foram ratos, cães e gatos, pombas, galinhas
E o bicho homem nas suas quase infinitas cores e versões

Escolhi a calma segura, opaca e sem brilho do anonimato
Não me revelo, me escondo atrás de um símbolo carimbo
Circulo as iniciais do meu nome com uma esfera de limbo

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato

Desacato toda Lei da Física, da Química, da Matemática
Pontos, vírgulas, crases e acentos da Língua Portuguesa
Para registrar digitalmente aquilo que não pode ser dito

Na grande feira social online onde tudo é vendido
Posto gratuitamente meu sentimento, dores e desgraças
E por desafiar o fluxo da manada, não causo impacto

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato

Quem sabe daqui a cem mil anos um semelhante puro
Encontre por acaso um registro em algum canto do futuro
E me descubra nele também pra sempre infinito e eterno

Quem sabe daqui a cem mil anos um semelhante puro
Encontre por acaso um registro em algum canto do futuro
E me descubra nele também pra sempre infinito e eterno

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato

Agradeço

Agradeço

Senhor eu agradeço
Por receber mais que mereço
Por me mostrar a paz
Mesmo eu sendo tão incapaz

Eu não sei
Agradecer
Mas agradeço
Agradeço

Senhor eu agradeço
Por ensinar o que é sem preço
Por me mostrar a clareza
Ela é em mim a maior riqueza

Eu não sei
Agradecer
Mas agradeço
Agradeço

Senhor eu agradeço
Por estes versos que eu teço
Por me mostrar a bondade
Ela é a ponte para a felicidade

Senhor eu agradeço
Por tudo que eu de ti conheço
Por me mostrar a compaixão
Finito e infinito em perfeita união

Eu não sei
Mas agradeço
Agradeço

Pano de Prato

Pano de Prato

Há na caixa da menina
Com cuidado enrolado
Um pintado pano de prato
Que passaria despercebido
Não fosse o nobre gesto

Unindo dois mundos distantes
Com um pano tecido e pintado
Oh Oh
Oh Oh Oh

Há no peito da mulher
Pronto para ser sacado
Um motivo pra gerar o fato
E despertar amor adormecido
Não ligando para o resto

Com um pano tecido e pintado
Unindo dois mundos distantes
Oh Oh
Oh Oh Oh

Dessa forma entre elas
Cria-se um laço humano
De respeito, amor e amizade
Na eternidade do momento
Do prato enxugado pelo pano

Na eternidade do momento
Do prato enxugado pelo pano

Pelo pano Oh Oh
Pelo pano Oh Oh