O Futuro

O Futuro

O futuro, duro, escuro, inseguro
O futuro, duro, escuro, inseguro

Trago notícias do futuro
O que vai nos acontecer nos próximos 2000 anos
Quem não estiver preparado, pare de ler por aqui
Pois a verdade é nua e crua, minha e tua
Nas próximas duas décadas um de nós perderá o juízo
Um de nós viverá de improviso
Um de nós ganhará um netinho
Dois de nós perderão os seus filhos

O futuro, duro, escuro, inseguro
O futuro, duro, é o próximo muro

Um de nós terá uma revelação
E compreenderá o que sempre entendeu
Um de nós será traído, outro trairá
Magoará, perdoará a si mesmo
Nesse período, um de nós morrerá sem saber
Um saberá que vai morrer
Um de nós será salvo
Outro conduzirá milhares ao abismo do mundo

O futuro, duro, escuro, inseguro
O futuro, duro, é o próximo muro

Um perderá a memória e esquecerá
De tomar o remédio que cura a dor da doença
Um de nós perderá sua esposa para a morte
E desejará viver ao seu lado do outro lado
Esse é o futuro, duro, limpo, bem-vindo
Um de nós perderá todos os dentes e continuará sorrindo

O futuro, duro, escuro, inseguro
O futuro, duro, é o próximo muro

Um de nós cantará um louvor, escreverá um verso
Fará um brinde aos amigos que se foram
Um de nós perderá sua crença
Sua maneira de ver, de sentir o fervor de sua fé
Um de nós estará sozinho
E só descobrirá que nunca esteve onde seria
O futuro, o passado, o presente tão lindo

O futuro, duro, escuro, inseguro
O futuro, duro, é o próximo muro

Um de nós olhará uma flor e pensará em comê-la
Pois a fome nos deixa sem fronteiras
Um de nós cegará, no escuro
A luz do Sol apagando, se indo
Um de nós permanecerá no coração de tudo pra sempre
O futuro, eterno em si mesmo, ralo imenso
Infinito, tão denso, não é o que eu penso

O futuro, duro, escuro, inseguro
Não é o que eu penso
Não é o que eu penso
Não é o que eu penso

Poemão

Poemão

Inseparáveis elas são
Uma chama-se Inflação, outra Corrupção

Diga não, não, não, não, não

Cuidam da alimentação
Com o sangue dos inocentes da nação

Diga não, não, não, não, não

Elas não têm coração
Moral e caráter, agem como um ladrão

Diga não, não, não, não, não

Uns poucos delas ganharão
Carinho, luxo, dinheiro, poder e atenção

Diga não, não, não, não, não

Os outros sentirão a traição
Enganados e controlados pela televisão

Diga não, não, não, não, não

Até que a turba desperte da ilusão
E ponha um fim nisso dizendo apenas Não

Diga não, não, não, não, não

É só dizer

NÃO

Fome

Fome

Eu tinha tudo que
Alguém pode querer
Pai, mãe, roupa e comida

Eu tinha mil amigos
Parceiros pra me proteger
Por eles eu arriscava a vida

Mas eu tinha fome
Muita fome
Era fome pra valer

Eu tinha um Jeep azul
Gasosa e sem capota pra correr
Pro litoral e escolher a praia preferida

Eu tinha a prancha branca
Nela eu remava podia vencer
Com os braços a arrebentação temida

Mas eu tinha fome
Muita fome
Era fome pra valer

Eu tinha muitas garotas
Mais até do que eu podia ter
Nenhuma pra chamar de minha querida

Eu tinha muitos sonhos
Sobre quem eu poderia ser
E uma parte completamente esquecida

Porque eu tinha fome
Muita fome
Era fome pra valer

Então chegou o momento
Desse eu antigo eu esquecer
E ver nascer alguém novo
Um novo homem, novo ser
Pra entender essa baita fome
E a coisa certa pra comer

Porque eu tinha fome
Muita fome
Era fome de viver
Era fome de viver

Era fome, muita fome, de viver
Era fome, muita fome, de viver

Cebion

Cebion

Ele era um cara legal
Era um cara maneiro
Como todo cara legal
Que tem quinze anos

Ele era um cara legal
Garoto muito ligeiro
Como todo cara legal
Que tem muitos planos

Ele era um cara legal
O pó de cada morteiro
Juntando toda pólvora
No tubo de Cebion on on

Ele era um cara legal
Era um cara maneiro
Como todo cara legal al al

Ele era um cara legal
Pôs todo pó na bomba
E jogou o tubo no chão
O Cebion caiu vazio

Ele era um cara legal
Duvida que eu emboco
Essa ponta de cigarro
No tubo de Cebion?

Ele era um cara legal
Era um cara maneiro
Como todo cara legal al al

Ele era um cara legal
A bituca acesa caiu
O resto do pó um flash
Brilhou na sua mão

Ele era um cara legal
A bomba explodiu e
Lá se vão três dedos
De um cara maneiro oh oh oh

Ele era um cara legal
Era um cara maneiro
Como todo cara legal al al

Vão

Vão

Eu sou

Sou o vácuo entre as estrelas
E o vazio entre os átomos

Eu sou
Sou o vácuo entre as estrelas

Eu sou

A entrelinha entre as frases
E os hiatos entre as palavras

Eu sou
A entrelinha entre as frases

Eu sou

As lacunas entre os pensamentos
E os brancos do esquecimento

Eu sou
As lacunas entre os pensamentos

Eu sou

O intervalo abençoado entre
A inspiração e a expiração

Eu sou
O intervalo abençoado

Nessa janela vê-se a alma
Nessa lacuna vive a eternidade

Nessa janela vê-se a alma
A alma, a alma, a alma
Nessa lacuna vive a eternidade

Eu sou.. a eternidade