Abraço

Abraço

Numa dessas tardes qualquer
Esticando as pernas no terraço
Entre os vãos do que se quer
Senti vontade de te dar um abraço

Senti vontade
De te dar um abraço

Forte apertado como eu desejo
Mas entre nós existe um espaço
Tão infinito como o que não vejo
Aqui você não é mais um pedaço

Aqui você não é
Mais um pedaço

Vive apenas na minha lembrança
Um sonho bom que eu mesmo faço
No coração que um dia fui criança
É a coisa mais pura esse nosso laço

É a coisa mais pura
Esse nosso laço

Vive apenas na minha lembrança
Um sonho bom que eu mesmo faço
No coração que um dia fui criança
É a coisa mais pura esse nosso laço

Senti vontade
De te dar um abraço
De te dar um abraço

Feliz Natal

Feliz Natal

Lentamente vai chegando
Esse Natal urbano
De presentes e Papai Noel
Muita fartura e doces

Materialmente vou ficando
Embriagado de falsa ilusão
Champanhe e alegria vazia
Sal de fruta e azia

Mas você me lembra
O que realmente importa
O que realmente importa

Mas pouco a pouco lembro
O Natal não é um velho gordo
Barbudo, vestido de vermelho
Numa falsa fantasia

É o nascimento do menino
Na cidade, na favela
Num canto deste mundo
No deserto seco iluminado
Pela estrela guia

Mas você me lembra
O que realmente importa
O que realmente importa

Trazendo esperança, alento
Liberdade, igualdade, fraternidade
Amizade, amor e conhecimento
Ensinando a cura pela bondade

Que a nossa salvação
Passa pela porta da verdade
Abrindo a fenda nesta vida
Para toda eternidade

Perdão, Perdão, Perdão
Por eu não aproveitar
Cada momento desta
Incrível oportunidade

Mas você me lembra
O que realmente importa
O que realmente importa

Sabe?

Sabe?

Sabe quando você acorda
Com aquela vontade de vida
Sair pelas veredas abertas
Entre aventuras e certezas

Sabe
Entre aventuras e certezas

Cheio de potência e energia
Coração batendo mente vazia
Engolindo o mundo inteiro
Aspirando o vento soprado

Sabe
Aspirando o vento soprado

Vendo além de si mesmo
Pensamentos e hipocrisias
Além do horizonte do globo
Ocular do Sol das estrelas

Sabe
Além do horizonte do globo

Se conhecendo e sendo
Sem defeito sem falhas
Lendo o imperfeito perfeito
Com toda paixão no peito

Se conhecendo e sendo
Sem defeito sem falhas
Lendo o imperfeito perfeito
Com toda paixão no peito

Sabe
Quando você acorda

Sopro

Sopro

Senhor
Na tua forma divina
Dai-me a saúde da tua paz
A paz eterna do teu amor
Amor da tua compreensão
Feita do teu conhecimento

Dai-me a saúde da tua paz
Dai-me a saúde da tua paz

Senhor
Nesta oportunidade
Dai-me a sorte de ser grato
Pelo alimento no meu prato
Pela água saciando a sede
Pelo vai e vem do teu sopro

Dai-me a sorte de ser grato
Dai-me a sorte de ser grato

Senhor
Respira o ar em mim
Dai-me este breve momento
Para entender o teu segredo
E poder anunciar sem medo
A morte é o início não é o fim

Dai-me este breve momento
Dai-me este breve momento

Dai-me este breve momento

Dai-me a saúde da tua paz
Dai-me a saúde da tua paz

Senhor
Respira o ar em mim
Dai-me este breve momento
Para entender o teu segredo
E poder anunciar sem medo
A morte é o início não é o fim

Dai-me este breve momento
Dai-me este breve momento

Dai-me este breve momento

O Momento

O Momento

E quanto mais eu não te penso
Vivo a vida de um modo intenso
Sob a visão de um luar tão denso
Chuva no vidro, o amor condenso

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Dentro de mim há tanto sentimento
Espaço aberto, muito entendimento
No exterior a vida dura do cimento
Transforma tudo num surdo lamento

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Pensar é um fantástico presente
Luz de um farol que orienta a mente
Mas o que se pensa precisamente
É diferente do que a gente sente

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Suave e leve como lenço que voa
No silêncio a alma contente ri à toa
Um gargalhar sem dor infinito ressoa
Viajo muito além da minha pessoa

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Eu imagino um passado distante
Vejo o início de tudo num rompante
A extinção de um reino animal gigante
Luta vencida por um meu semelhante

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Eu imagino muito, muito mais avante
Até o fim de tudo, mil séculos adiante
Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

Só não consigo pensar algo tão elegante
Como a rica beleza viva deste instante

A rica beleza viva deste instante

Sobre Mim

Sobre Mim

Quando logo pela manhã desperto
Arrancado dos pesadelos noturnos
Caio nos braços dos medos diurnos
Olho à minha volta vejo meu deserto

Olho à minha volta vejo meu deserto
Chove sobre mim, chove sobre mim

Tateio esta vida sem saber por onde
Começo pouco a pouco a tecer o dia
Encho de esperança esta casca vazia
Eu procuro espero e você me responde

Eu procuro espero e você me responde
Chove sobre mim, chove sobre mim

Dentre todos os nãos você me diz sim
Me dá força a paciência de um monge
Porque o mar do seu amor está longe
E também está próximo perto em mim

E também está próximo perto em mim
Chove sobre mim, chove sobre mim

Então aos poucos seu contato dissipa
A angústia da dor dessa culpa infinita
Chove sobre mim sua benção bendita
E misturada às lágrimas me emancipa

E misturada às lágrimas me emancipa
Chove sobre mim, chove sobre mim.