Percorri os campos de paralelepípedos, cimento, asfalto
Bichos que vi foram ratos, cães e gatos, pombas, galinhas
E o bicho homem nas suas quase infinitas cores e versões

Escolhi a calma segura, opaca e sem brilho do anonimato
Não me revelo, me escondo atrás de um símbolo carimbo
Circulo as iniciais do meu nome com uma esfera de limbo

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato

Desacato toda Lei da Física, da Química, da Matemática
Pontos, vírgulas, crases e acentos da Língua Portuguesa
Para registrar digitalmente aquilo que não pode ser dito

Na grande feira social online onde tudo é vendido
Posto gratuitamente meu sentimento, dores e desgraças
E por desafiar o fluxo da manada, não causo impacto

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato

Quem sabe daqui a cem mil anos um semelhante puro
Encontre por acaso um registro em algum canto do futuro
E me descubra nele também pra sempre infinito e eterno

Quem sabe daqui a cem mil anos um semelhante puro
Encontre por acaso um registro em algum canto do futuro
E me descubra nele também pra sempre infinito e eterno

Eu, um cara do bem, da paz
Eu não brigo, não luto, não mato
Lanço aqui meu desacato